A Escadaria - Prólogo
Um clarão.
Ele abriu os olhos assustado.
Sabia que estivera tendo um pesadelo, mas levantou tão rapidamente que esqueceu sobre o que era. Piscou algumas vezes, tentando focalizar sua vista e enxergar a sala em que se encontrava, enquanto o coração desacelerava.
Era um aposento circular, pôde perceber ao ficar de pé, iluminado por archotes presos às paredes. Na realidade, o cômodo se abria para uma escadaria, que subia fazendo uma curva circular. Uma torre, pensou o rapaz, com degraus em espiral que levavam ao topo.
Ele piscou mais algumas vezes, tentando perceber o que mais havia na sala, além dos degraus - que desapareciam na primeira curva - e dos archotes. Mas não havia mais nada. Piso de pedra, paredes de pedra, degraus de pedra. Só isso.
Ele pôs a mão na testa, confuso, tentando se concentrar para entender o que raios estava acontecendo e por que raios estava ali afinal. Não se lembrava de nada que pudesse ter acontecido antes. Absolutamente nada lhe vinha à mente, além da consciência de quem era e de que não estava onde deveria estar.
Thomas Pain era seu nome, e ele estava na casa dos vinte anos. Talvez um pouco menos, talvez um pouco mais, mas jovem, enfim. Tinha um rosto triangular, nariz largo, um queixo que insinuava imponência. Os cabelos, muito negros e desalinhados, lhe caíam sobre a testa e os olhos. Estes, também, eram muito pretos. Era esbelto, apesar de não ser tão alto, e tinha o tronco forte e braços capazes. Uma figura excessivamente surreal à primeira vista, chegando a ser desengonçada. Thomas Pain era um rapaz discreto, mas competente. Vestia-se sempre com uma cota negra espessa sobre o peito e uma capa curta, igualmente negra, sobre os ombros, embora o resto de sua vestimenta também fosse escura. Ele possuía um punhal entalhado, que carregava no cinto, mas, percebia ele agora, o punhal desaparecera. Aliás, tudo que costumava carregar desaparecera, fora as roupas.
E o mais esquisito era que não conseguia se lembrar por que diabos ele aparecera, daquele jeito, na sala.
Girou sobre si mesmo, e olhando para o lado oposto aos degraus, deparou-se com uma porta. Uma porta enorme, de carvalho, encaixada sob um pórtico majestoso de pedra. Ele pensou com seus botões que a porta não estivera lá há alguns instantes, quando olhou ao redor para investigar o aposento. Estranho...

Resolveu testar a porta antes das escadas.
As pesadas lâminas de madeira rangiram quando Thomas as empurrou, e assim que fez isso, foi inundado por um barulho insuportável.
Olhou pasmo para a cena do lado de fora da sala. Uma guerra, uma terrível e gigantesca guerra, se desenrolava por centenas de milhares de quilômetors ao redor da torre. O céu estava manchado de escarlate e negro, com nuvens de tempestade preenchendo o horizonte, relâmpagos, raios e trovões fazendo a terra tremer e uma infinidade de homens e bestas, máquinas de guerra e criaturas monstruosas lutando violentamente, fazendo rombos no chão, explodindo uns aos outros, manchando o cenário de sangue. O ruído infernal da batalha e da tempestade ainda era aumentado por terremotos repentinos que rosnavam e sugavam pessoas para as profundezas.
O Caos.

Thomas estava boquiaberto, recebendo o vento cruel nas faces e percebendo o horror em que se encontrava o mundo. Estava agora na beira do precipício em que a torre com a escadaria ficava. Na verdade, era um pico tão alto que possibilitava uma visão panorâmica de quase todo o continente. Ou do que restara dele. Uma lufada de vento o fez cambalear para trás e cair de costas no chão. Olhando para cima viu que a torre se elevava muito acima de sua cabeça, e lá no alto, no topo, ele distinguia uma luz brilhante e intensa, azulada. A torre era um farol, mas Thomas, por instinto, suspeitou que a luz não viesse de uma lâmpada.

Estirado no chão, a realidade veio à tona para ele: Seu mundo estava sendo destruído. As forças inimigas que agora lutavam lá embaixo finalmente tinham decidido começar o confronto que todos temiam há muito. E esse confronto provocara o apocalipse.
Ele se levantou e correu rapidamente de volta para dentro da torre. Bateu as portas de carvalho, e instantaneamente todo o barulho cessou. Ele ofegava. Seu coração estava acelerado de novo. Gotas de suor frio pingavam de sua face.
Era o fim. Era a perdição. E ele, por algum motivo, estava são e salvo naquela torre.
Olhou para os degraus, e na parede havia aparecido uma mensagem pintada:
"VOCÊ DEVE SUBIR"
E ele entedeu, com simplicidade. Esperou alguns minutos para se acalmar, e com a mente limpa, afirmou a si mesmo: "eu devo subir."
Ele teve certeza, sem exatamente saber por quê, de que sua missão era subir aqueles degraus, por que lá em cima haveria algo para ele fazer. Lá em cima, ele encontraria seu destino. No topo daquele farol, ele encontraria um meio de salvar seu mundo. Era só colocar um pé depois do outro e ele poderia mudar tudo.
E assim, Thomas Pain começou sua subida pela escadaria de pedra.
Ele abriu os olhos assustado.
Sabia que estivera tendo um pesadelo, mas levantou tão rapidamente que esqueceu sobre o que era. Piscou algumas vezes, tentando focalizar sua vista e enxergar a sala em que se encontrava, enquanto o coração desacelerava.
Era um aposento circular, pôde perceber ao ficar de pé, iluminado por archotes presos às paredes. Na realidade, o cômodo se abria para uma escadaria, que subia fazendo uma curva circular. Uma torre, pensou o rapaz, com degraus em espiral que levavam ao topo.
Ele piscou mais algumas vezes, tentando perceber o que mais havia na sala, além dos degraus - que desapareciam na primeira curva - e dos archotes. Mas não havia mais nada. Piso de pedra, paredes de pedra, degraus de pedra. Só isso.
Ele pôs a mão na testa, confuso, tentando se concentrar para entender o que raios estava acontecendo e por que raios estava ali afinal. Não se lembrava de nada que pudesse ter acontecido antes. Absolutamente nada lhe vinha à mente, além da consciência de quem era e de que não estava onde deveria estar.
Thomas Pain era seu nome, e ele estava na casa dos vinte anos. Talvez um pouco menos, talvez um pouco mais, mas jovem, enfim. Tinha um rosto triangular, nariz largo, um queixo que insinuava imponência. Os cabelos, muito negros e desalinhados, lhe caíam sobre a testa e os olhos. Estes, também, eram muito pretos. Era esbelto, apesar de não ser tão alto, e tinha o tronco forte e braços capazes. Uma figura excessivamente surreal à primeira vista, chegando a ser desengonçada. Thomas Pain era um rapaz discreto, mas competente. Vestia-se sempre com uma cota negra espessa sobre o peito e uma capa curta, igualmente negra, sobre os ombros, embora o resto de sua vestimenta também fosse escura. Ele possuía um punhal entalhado, que carregava no cinto, mas, percebia ele agora, o punhal desaparecera. Aliás, tudo que costumava carregar desaparecera, fora as roupas.
E o mais esquisito era que não conseguia se lembrar por que diabos ele aparecera, daquele jeito, na sala.
Girou sobre si mesmo, e olhando para o lado oposto aos degraus, deparou-se com uma porta. Uma porta enorme, de carvalho, encaixada sob um pórtico majestoso de pedra. Ele pensou com seus botões que a porta não estivera lá há alguns instantes, quando olhou ao redor para investigar o aposento. Estranho...

Resolveu testar a porta antes das escadas.
As pesadas lâminas de madeira rangiram quando Thomas as empurrou, e assim que fez isso, foi inundado por um barulho insuportável.
Olhou pasmo para a cena do lado de fora da sala. Uma guerra, uma terrível e gigantesca guerra, se desenrolava por centenas de milhares de quilômetors ao redor da torre. O céu estava manchado de escarlate e negro, com nuvens de tempestade preenchendo o horizonte, relâmpagos, raios e trovões fazendo a terra tremer e uma infinidade de homens e bestas, máquinas de guerra e criaturas monstruosas lutando violentamente, fazendo rombos no chão, explodindo uns aos outros, manchando o cenário de sangue. O ruído infernal da batalha e da tempestade ainda era aumentado por terremotos repentinos que rosnavam e sugavam pessoas para as profundezas.
O Caos.

Thomas estava boquiaberto, recebendo o vento cruel nas faces e percebendo o horror em que se encontrava o mundo. Estava agora na beira do precipício em que a torre com a escadaria ficava. Na verdade, era um pico tão alto que possibilitava uma visão panorâmica de quase todo o continente. Ou do que restara dele. Uma lufada de vento o fez cambalear para trás e cair de costas no chão. Olhando para cima viu que a torre se elevava muito acima de sua cabeça, e lá no alto, no topo, ele distinguia uma luz brilhante e intensa, azulada. A torre era um farol, mas Thomas, por instinto, suspeitou que a luz não viesse de uma lâmpada.

Estirado no chão, a realidade veio à tona para ele: Seu mundo estava sendo destruído. As forças inimigas que agora lutavam lá embaixo finalmente tinham decidido começar o confronto que todos temiam há muito. E esse confronto provocara o apocalipse.
Ele se levantou e correu rapidamente de volta para dentro da torre. Bateu as portas de carvalho, e instantaneamente todo o barulho cessou. Ele ofegava. Seu coração estava acelerado de novo. Gotas de suor frio pingavam de sua face.
Era o fim. Era a perdição. E ele, por algum motivo, estava são e salvo naquela torre.
Olhou para os degraus, e na parede havia aparecido uma mensagem pintada:
"VOCÊ DEVE SUBIR"
E ele entedeu, com simplicidade. Esperou alguns minutos para se acalmar, e com a mente limpa, afirmou a si mesmo: "eu devo subir."
Ele teve certeza, sem exatamente saber por quê, de que sua missão era subir aqueles degraus, por que lá em cima haveria algo para ele fazer. Lá em cima, ele encontraria seu destino. No topo daquele farol, ele encontraria um meio de salvar seu mundo. Era só colocar um pé depois do outro e ele poderia mudar tudo.
E assim, Thomas Pain começou sua subida pela escadaria de pedra.
Excelente!
ResponderExcluirQuase como o Agrajag guiando o Arthur pra Catedral... Mesmo mistério, mas sem a forte ameaça - original...
Adorei!
Alguma entidade o guiando, ou ele mesmo se projetando ali? Gostei do "deixar no ar"...
Tou na expectativa pro próximo!!
Abraços! Continue, tá ótimo ;)
lol
ResponderExcluirque esse tenha uma continuação...
e eu só vou ler o ultimo cap. daiushdiuashdiuahdsaiuhda
brinqs.
mt boom!
Uuuuuuuuuuuh
ResponderExcluirIsso ficou bem bacana!
ResponderExcluir(:
P.S. Inspiration by Bernard Cornwell detected.