Historinha Nada Fictícia Antes de Ir Dormir

Era uma vez um cavaleiro nórdico chamado Werd. Ele possuia uma espada encantada pelos deuses de Asgard, e com ela já fizera muitas façanhas por aqueles reinos esquecidos. Nas costas, sempre carregava seu alaúde, pois também tinha a fama de trovador e sempre tocava suas canções antes de qualquer confronto, para manter-se focado.
Certa vez, enquanto percorria o reino místico de Arabísil, um conjunto de ruínas celtas há muito abandonadas, Werd ouviu um chamado: parecia ser a voz de uma menina, muito distante. Ela gritava, desesperada. Ele desembainhou a espada e correu sem pensar duas vezes em direção a voz, sem nem mesmo ter tocado qualquer canção.
A garota, ruiva, se debatia encarcerada nas garras de um imenso dragão. Seu nome era Alla, e ela era uma vampira. Mas não uma vampira cruel e assassina. Apenas uma garota que teve o azar de ser mordida por uma dessas criaturas. Ela fora ao reino de Arabísil para buscar uma cura nas propriedades mágicas do lugar, mas novamente, não tivera tanta sorte.
- Largue a garota! - gritou Werd, avançando para o dragão.
- Não será tão fácil assim! - rosnou a fera.
[Agora você leitor imagine uma luta voraz e emocionante entre os dois, repleta de sangue, bravura e magia. Sim, essa é sua responsabilidade, porque eu estou com muito sono, e o objetivo original da historinha nunca foi narrar a batalha^^ Mazel tov!]
Foi então que Werd percebeu que para salvar a dama, teria que sacrificar seu bem mais precioso: sua espada encantada.
- E então, moleque, vai fazer o sacrifício?! Trocar sua bravura, racionalidade, suas certezas, até mesmo sua segurança... por uma mulher?! - zombou o dragão.
- Vá-se, nobre cavaleiro. Você não tem culpa de nada, não merece sofrer por mim. Eu... eu... não aguentaria ver você sofrendo.
O cavaleiro decidiu deixar todo seu medo de lado, inspirou profundamente, olhando fixamente para os olhos escuros de Alla, e respondeu, resoluto:
- Para que me serve bravura, razão, certezas, segurança, se estou apaixonado?! Sim, é isso mesmo. Um homem apaixonado perde a bravura para o cavalheirismo. Perde a razão para a loucura, as certezas para a imaginação, a segurança para os riscos. E mesmo assim, é um homem feliz.
Então sorriu como nunca antes para Alla. Talvez fosse o lugar mágico em que se encontrava, mas estava plenamente apaixonado. E a garota, parecia retribuir, sutilmente.
Ele jogou a espada aos pés do dragão e gritou:
- Eu sacrifico!
O dragão berrou, e começou a pegar fogo por inteiro, tal qual a espada. O espetáculo terminou com um monte de cinzas e uma garota ruiva e radiante correndo para seus braços. Werd percebeu que ela se transformava: a pele pálida corava, os olhos obscuros se abriam em luz. Ela deixara de ser vampira. E se enchera de felicidade.
Os dois se abraçaram intensamente, sem perceber que Arabísil estava rejuvenescendo. O reino celta estava livre do dragão, e de sua maldição, portanto poderia voltar a ser livre. Uma voz ecoou:
- Werd, do Rio, você provou seu valor e libertou nossa cidade, abdicando de tanto... por amor. Por isso, os deuses celtas te recompensam agora.
- Seu alaúde! - gritou Alla.
O instrumento se transformava em algo diferente: seis cordas, de aço, com botões esquisitos na base e um formato triangular.
- Toque, meu cavaleiro. - pediu Alla com ternura.
Werd olhou para ela com carinho, feliz por ter entrado sem querer na maior e melhor aventura de sua vida.
- Essa é pra você, querida. Chama-se "Nothing Else Matters"
E ao som surreal do instrumento abençoado pelos celtas, que Werd resolveu chamar de "fender", ele e Alla foram caminhando, aproveitando o começo de sua aventura romântica, para se juntar mais tarde a outro casal, os amigos de Werd, Natigs e Asi, para celebrar a vitória no Jefferson's Pub.
FIM

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